11 de março de 2016

Sobre o tema do Capítulo das Esteiras 2017

No clima do Ano Mariano, a Conferência da Família Franciscana do Brasil celebra o seu Jubileu de Ouro no Capítulo das Esteiras, o grande evento que vai reunir em Aparecida frades, irmãs clarissas, irmãs e irmãos da Terceira Ordem Regular (TOR), da Ordem Franciscana Secular (OFS), da Juventude Franciscana (Jufra), dos Movimentos Francisclarianos e simpatizantes de Francisco e Clara, de 3 a 6 de agosto de 2017.

“Neste Capítulo das Esteiras, a Família Franciscana do Brasil retoma algo peculiar na espiritualidade franciscana que é o encontro de irmãos e irmãs, celebrando o Deus da vida e refontizando-se na experiência da fraternidade, como aconteceu com São Francisco”, explica Frei Éderson Queiroz, presidente da Conferência da Família Franciscana do Brasil – CFFB, referindo-se aos primórdios da Ordem quando os frades se reuniam em capítulo e, porque eram muitos e não havia hospedagem para todos, tinham que pernoitar nas esteiras. “Ali era o encontro de voltar às fontes, ao espírito das origens. E daquele capítulo, eles partiam renovados, fortalecidos e com um grande desejo de irradiar no mundo a experiência da fraternidade vivenciada na escuta do Evangelho na Porciúncula, junto a Santa Maria dos Anjos”, acrescenta Frei Éderson.

O tema que vai conduzir este Capítulo é “Levar ao mundo a misericórdia de Deus” e o lema convoca: “É preciso voltar a Assis!”. Frei Éderson explica a escolha: “Voltamos à experiência de oitocentos anos atrás – com a Igreja, a sociedade, com famílias profundamente machucadas, divididas por guerras em nome de Deus, de pessoas morrendo e sendo esmagadas em nome de Deus -, quando Francisco tem uma profunda intuição: é preciso levar todos ao paraíso. Francisco queria criar paraísos na vida das pessoas, nas relações entre as pessoas, entre as religiões. Ele queria criar paraísos que pudessem ser experiências de fraternidade, de respeito e de alteridade”, explica Frei Éderson.


Para o presidente da CFFB, esse Capítulo tem alguns sinais (significados):

 

1º) Queremos emitir para toda a sociedade, para toda a Igreja, o valor da fraternidade minorítica. Irmãos e irmãs, que seguindo o Cristo pobre entre os pobres, querem levar para a nossa realidade social e eclesial o valor da fraternidade. Nós estamos vivendo numa sociedade cada vez mais esgarçada, cada vez mais fendida, machucada, com múltiplas divisões e intolerâncias, com esse neofascismo que vai permeando a realidade do mundo e temos muito o que propor. É possível ser irmãos. É possível criar uma realidade de irmãos. E isso nós temos muito forte no nosso carisma, que é a fraternidade.

2º) Perdão de Assis. Criar paraísos na vida das pessoas, criar paraísos na realidade social, criar paraísos na realidade eclesial. Trazendo para o hoje da nossa história com o Papa Francisco, permear todas as realidades desse sentimento profundo, desta experiência da misericórdia. O Papa diz na Bula Misericordiae Vultus que a misericórdia é o coração pulsante do Evangelho. Portanto, se não há misericórdia, o Evangelho é uma letra morta. O que faz o Evangelho pulsar – pulsar de vida, pulsar de alegria, pulsar de senso de justiça, que faz o coração pulsar na solidariedade – é a misericórdia. Então, o Papa nos convoca à misericórdia e, com uma exortação apostólica Misericordia e Misera, chama-nos novamente para que possamos fazer aquilo que ele havia dito no Ano Santo. Portanto, celebrar o perdão de Assis dentro do Capítulo das Esteiras é assumir no mais profundo do coração atitudes concretas de como viver a misericórdia no mundo de hoje. E nós, como herdeiros de São Francisco e Santa Clara, temos nesses dois uma escola de misericórdia. É possível misericordiar o mundo, as pessoas, com afeto e com ternura.

O presidente da CFFB convoca toda a Família Franciscana neste Ano Mariano, que ali vai beber na fonte da fraternidade e, num gesto profético, vai propor à sociedade, à humanidade, que é possível viver como irmãos, que é possível caminhar como irmãos. “É muito importante estar em Aparecida. Será um momento não só de congraçamento, será um momento de espiritualidade, será um momento de profundo compromisso em misericordiar o mundo de hoje”, propôs Frei Éderson.